Unidade de Industrialização do Xisto (SIX) adere a greve nesta sexta-feira (26)

Greves regionais acontecem há 19 dias nos estados da Bahia, Amazonas, Espírito Santo e São Paulo. Foto: Portal RDX.

Há 19 dias, petroleiros da Bahia, Amazonas, Espírito Santo e das bases do Sindipetro Unificado de São Paulo estão promovendo greves regionais.

As principais reivindicações da mobilização tratam da precarização das condições de trabalho e o aumento dos riscos de acidentes, e também o crescimento vertiginoso de casos de Covid nas unidades marítimas e terrestres da empresa. Na sexta (26), a greve vai receber a adesão dos trabalhadores da Unidade de Xisto (SIX), no Paraná.

Trabalhadores da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim (MG), decidiram, na noite de segunda-feira (22), suspender temporariamente a greve sanitária iniciada na unidade. A decisão foi tomada após a Petrobrás se comprometer, via ofício, a atender parte da demanda da categoria em relação a medidas para evitar o aumento do contágio por Covid-19 na refinaria, que registrou mais de 220 contaminados, sendo 84 trabalhadores de um mesmo setor, com 13 internações hospitalares e quatro pessoas intubadas. O aumento da infecção coincidiu com o início da parada de manutenção na Regap, que ampliou a circulação de pessoas na planta para cerca de 2,2 mil diariamente.

De acordo com Alexandre Finamori, coordenador do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro-MG), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), a Petrobrás atendeu parte dos pedidos dos trabalhadores em relação à redução de efeito em atividades não essenciais. Por isso, os petroleiros decidiram retomar suas atividades e voltar à mesa de negociação com a gerência geral da Regap, a fim de verificar a efetividade das ações da empresa no combate à pandemia no ambiente de trabalho.

“A Petrobrás se comprometeu em reduzir imediatamente o número de trabalhadores na refinaria. A redução será escalonada e, até o dia 31 de março, haverá 70 por cento de redução do efetivo, segundo a empresa”, afirmou Finamori.

COVID AVANÇA EM TERRA E NO MAR

Não é apenas na Regap que a situação da Covid é alarmante e onde o Sindipetro-MG registrou a morte de quatro trabalhadores terceirizados. Na Bahia, a Refinaria Landulpho Alves (RLAM) teve cerca de 80 trabalhadores próprios e terceirizados contaminados, segundo levantamento do Sindipetro-Bahia, e dois deles morreram num intervalo de uma semana. Nesse domingo (21/3), o Sindipetro-Bahia recebeu a notícia da morte de uma trabalhadora terceirizada de Taquipe, um campo de produção terrestre da Petrobrás na Bahia.

Na Bacia de Campos, o Sindipetro-Norte Fluminense vem registrando uma explosão de surtos em plataformas da Petrobrás. Nesta semana, foram registrados casos na P-48, que opera no campo de Caratinga, com dez trabalhadores sendo desembarcados até o momento. No fim da semana passada, um surto na P-38, unidade do campo de Marlim Sul que estoca o petróleo produzido na área, obrigou a Petrobrás a interromper temporariamente a produção na área.

Segundo o mais recente boletim de monitoramento da Covid-19 divulgado pelo Ministério de Minas e Energia na segunda (22/03), a Petrobrás totalizava 5.684 petroleiros contaminados, o que representa 12,2% do total de trabalhadores próprios da empresa. O número de infectados vem aumentando há seis semanas consecutivas. Esses dados, no entanto, embora assustadores, não refletem a realidade, pois a Petrobrás omite, desde o início da pandemia, a divulgação dos casos de Covid entre os trabalhadores terceirizados, que são os mais expostos à contaminação.

Pelo boletim do MME, por exemplo, consta que 17 petroleiros perderam a vida para a Covid, quando a FUP tem informações de que esse número é pelo menos três vezes maior, se considerado os óbitos entre trabalhadores terceirizados.

FUP E SINDICATOS CONVOCAM PARA O LOCKDOWN PELA VIDA

Após um ano de pandemia, o Brasil se transformou no epicentro do coronavírus, com o maior número de mortes por dia em todo o mundo. Este processo não se deu da noite para o dia, vem sendo construído por meses pelo governo federal, que desde o início da maior crise sanitária do século não trabalhou para que a pandemia fosse controlada. Pelo contrário, o atual presidente do país fez uma série de declarações minimizando a gravidade da situação, além de estimular o uso de medicamentos comprovadamente ineficazes no tratamentos da Covid-19, que inclusive vem agravando o quadro clínico de alguns pacientes, que já precisaram de transplante de fígado, por causa do uso das medicações indicadas pelo presidente da República. Hoje, o Brasil é considerado uma ameaça à saúde pública global, pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Por este e outros motivos, como o fim do auxílio emergencial de R$ 600,00; as centrais sindicais e frentes estão convocando a classe trabalhadora a parar nesta quarta (24/3). O movimento é chamado DE “Lockdown em Defesa Da Vida e dos Direitos” e terá adesão da categoria petroleira.

O objetivo da mobilização é reivindicar a segurança de trabalhadoras e trabalhadores e suas famílias e chamar atenção da sociedade para exigir do governo o devido cuidado com a pandemia e a vacinação da população.

Redação Portal RDX

Redação Portal RDX

Leia o anterior

PM atende ocorrências de violência doméstica no Cambará do Sul e Vila Palmeirinha

Ler próximo

Gaeco federal alerta para risco de golpe em venda de vacinas da covid-19