Câncer de cabeça e pescoço: prevenção e diagnóstico precoce salvam vidas

Hoje (27), é celebrado o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço. A data faz parte da Campanha Julho Verde, que tem como objetivo alertar a população para prevenção e promover mais conscientização dos cuidados necessários para evitar a manifestação ou evolução desses tumores.

O câncer de cabeça e pescoço é uma definição genérica para tipos de tumores malignos que podem aparecer na boca, na orofaringe, na laringe (cordas vocais), no nariz, nos seios nasais, na nasofaringe, na órbita, no pescoço e na tireoide.

De acordo com a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), esse tipo de câncer é o sexto mais incidente no mundo.

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra cerca de 40 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço a cada ano. Só em 2022, de acordo com o Instituto, são esperados mais de 36.600 novos casos da doença.

Sinais e sintomas

Os sintomas podem incluir o aparecimento de um nódulo, uma ferida que não cicatriza, irritação ou dor de garganta que não melhora, dificuldade para mastigar, engolir, mover a mandíbula ou a língua, dormência na boca, área avermelhada ou esbranquiçada nas gengivas, língua, amígdala ou revestimento da boca, mau hálito persistente e alterações na voz ou rouquidão.

José Guilherme Vartanian, Head do Departamento de Cabeça e Pescoço, destaca a importância do diagnóstico precoce, que desempenha um papel crucial na cura do paciente. “O diagnóstico e o tratamento tardio causam uma perda significativa na qualidade e expectativa de vida do paciente. Quanto mais precoce for o diagnóstico, melhor”, afirma.

Diagnóstico

Um dos principais desafios para o câncer de cabeça e pescoço é o diagnóstico precoce. De acordo com o Inca, no Brasil, 76% dos casos desse tipo de câncer só são diagnosticados em estágios avançados, o que dificulta o tratamento e reduz as chances de cura.

O desconhecimento sobre a doença é um fator de atraso no diagnóstico desses pacientes. “Na maioria dos casos, o paciente demora a chegar no serviço especializado, e isso atrasa tanto o diagnóstico como o tratamento. É essencial a prevenção, buscar informações sobre os cânceres de cabeça e pescoço, assim como acontece com o câncer de mama e de próstata. O desconhecimento sobre a doença é um fator de atraso no diagnóstico”, alerta Clineu Gaspar, cirurgião de cabeça de pescoço da Fundação São Francisco Xavier.

Fatores de risco

Os principais fatores de risco são o tabagismo e o etilismo. Juntos, eles aumentam em mais de 50 vezes o risco de uma pessoa ter câncer de cabeça e pescoço no decorrer da vida, principalmente após os 50 ou 60 anos, de acordo com o Inca.

Atualmente também existe a infecção por HPV (papiloma vírus) como fator de risco para o câncer de orofaringe, embora na população brasileira esse tipo de tumor corresponda de 7 a 10% dos casos. Dessa forma, 90% dos tumores de cabeça e pescoço são causados pelo cigarro e pelo álcool.

Tratamento

O tratamento normalmente é realizado com cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Conforme o tipo, podem ser indicados quimioterapia e radioterapia ou, até mesmo, radioterapia isolada. “Tudo vai depender do tamanho desse tumor e se há ou não a presença de metástase. Mas o tratamento da maioria é a cirurgia, seguida de quimio e radioterapia”, enfatiza o cirurgião.

A boa notícia é que os estudos de câncer de cabeça e pescoço têm avançado nos últimos anos. Cada vez mais são realizadas cirurgias minimamente invasivas, feitas por vídeos, e cirurgias robóticas. Também tem aumentado o número de medicamentos mais eficientes, como os imunoterápicos.

As radioterapias mais localizadas no tumor também têm reduzido os efeitos adversos nos tecidos não doentes.

Da Redação Portal RDX com informações Estado de Minas

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