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Julgamento que acontece em Canoinhas e que pode entrar para a história de SC como o mais longo

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Foto: Biluka/Jmais

Um dos homicídios mais rumorosos da história recente de Canoinhas está prestes a ter um desfecho. A despeito do destino que os jurados darão aos três réus do assassinato de Claudio Herbst – morto com dez tiros no dia 15 de abril de 2021, em sua casa, que ficava a poucos metros do 3º Batalhão de Polícia Militar de Canoinhas -, este julgamento já fez história.

Não há precedente recente na comarca de Canoinhas de um julgamento popular tão longo. Começou às 9 horas de segunda-feira (6), e até a noite desta sexta-feira (10), não havia uma perspectiva de fim. Os jurados estão isolados a semana toda e cumprem uma rotina que vai do Fórum para o hotel, onde estão hospedados, incomunicáveis.

Ao longo de toda a segunda-feira (6), somente uma das 15 testemunhas arroladas foi ouvida. Os dez advogados que formam a banca de defesa, liderada por Claudio Dalledone Junior, famoso por defender réus como o goleiro Bruno e o vereador Jairinho, inquiriram o delegado que conduziu o inquérito, Darci Nadal Junior, por mais de dez horas. A todo o momento e por todas as brechas possíveis, a defesa tentou desconstruir a tese do delegado, que indiciou os três réus – Nelvir Gadens, ex-companheiro da então namorada de Herbst, Márcio Mariano e Ademir Alves, acusados de terem sido contratados por Gadens para matar seu desafeto.

Acusado de ser o mandante do crime, Nelvir Gadens/Facebook/Reprodução

Nesta quinta-feira (9), outro policial que trabalhou na investigação passou o dia sendo interrogado. “Até esse julgamento a sociedade não conhecia a verdade. Esse é um caso que vai servir como modo de mostrar a todos que a verdade deve ser buscada com responsabilidade, com compromisso, que tudo deve ser avaliado, que todas as versões devem ser investigadas. O que houve aqui desde o início foi que, infelizmente, alguém selecionou apenas uma linha acusatória, e que criaram um crime de mando. Forma imprudente de agir porque nós temos aqui nesse processo um inocente preso, um pai preso acusado de mando de um crime que ele não praticou. Existem razões para que esse fato tivesse ocorrido, é um fato, que deve ser julgado, mas a motivação é completamente outra”, destacou o advogado Jeffrey Chiquini, da banca de defesa.

Para Dalledone Junior, “essas horas de depoimento ensinaram a todos que delegado de polícia não é juiz, de que as informações coletadas por um delegado de polícia e as impressões e as suspeitas, devem ser validadas pelos órgãos científicos para daí se transformar em uma hipótese viável para ser julgada. E essa hipótese viável para ser julgada foi posta aqui”, disse Dalledone.

A Promotoria, que trabalha na acusação, não vai se pronunciar até o fim do julgamento.

CASO É MARCADO POR SURPRESAS E ADIAMENTOS

Nelvir Gadens, o suposto mandante, e os dois acusados de serem os executores do crime, teriam tramado e executado a morte de Cláudio Herbst por vingança.

Herbst foi alvejado com 11 tiros por volta das 19h30 de 15 de abril de 2021. Devido à gravidade dos ferimentos, ele faleceu no dia seguinte. Para a Polícia Civil trata-se de um crime passional. Cláudio seria namorado da ex-companheira de Nelvir. Por ciúmes, ele teria encomendado o crime.

De acordo com o apurado pelas autoridades policiais, os assassinos de aluguel contratados por Gadens teriam se aproximado da casa de Herbst na calada da noite.

Conforme a denúncia, um deles permaneceu no veículo para dar agilidade à fuga e garantir a execução do crime, enquanto o segundo desceu e foi em direção à vítima, disparando diversas vezes contra o rapaz.

A 4ª Promotoria de Justiça da Comarca de Canoinhas denunciou os três homens por homicídio triplamente qualificado – motivo fútil, mediante paga ou promessa de recompensa e recurso que dificultou a defesa da vítima.

O júri foi marcado para julho do ano passado, mas foi interrompido no primeiro dia. Dessa forma, ocorreu uma dissolução inédita do júri sobre o caso, depois que uma testemunha protegida foi mencionada em plenário. Na ocasião, o juiz que conduz o julgamento, dr Eduardo Veiga Vidal, decidiu dissolver o conselho de sentença para apurar a informação de que as partes não sabiam da existência do depoimento. Na mesma decisão, o suposto mandante teve a prisão domiciliar revogada e foi novamente conduzido ao presídio, onde todos os réus aguardavam o julgamento.

O júri teve nova data para ser retomado em fevereiro deste ano, mas a pedido da defesa, foi adiado novamente.

CARTA SURPRESA

Entre os interlúdios do julgamento, a defesa de Gadens divulgou que uma carta escrita pela mulher que seria o pivô da discórdia entre Gadens e Herbst mudaria o rumo dessa história. Na carta, ela declara arrependimento por ter terminado a relação com Gadens, que recebeu a carta na cadeia. Até um vídeo apócrifo relatando este caso em linguagem de reportagem foi anexado ao processo. O JMais não conseguiu confirmar a autoria do vídeo:

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